sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O brasão dos Paniago e a sua origem


De acordo com o Centro de Estudios Heraldicos da Espanha, o sobrenome Paniagua é de origem castelhana, mas precisamente do antigo reino de Leão.  Estabelece-se pela varonia da casa de Don Nuño Fernández Paniagua, que aponta tendo uma origem curiosa. Os ancentrais de do Don Nuño eram cavaleiros chegados do rei, que os cobria com favores, os outros nobres acabaram por chamá-los de “paniaguados”, seria o mesmo que chamá-los de lacaios. Ou seja, o termo foi designado naquela época como “favoritos” dos príncipes e reis. Eles estivereram presentes na conquista da Plasência, onde tomaram lugar, levando os seus descendentes a extender-se por toda a região da Extremadura.

O brasão é formado por um escudo azul ou dourado, tendo um javali ao pé do tronco e na parte superior a presença de uma flor-de-liz.  Por último uma faixa vermelha na diagonal. O significado do sobrenome está ligado as palavras pão e água, que no castelhano eram pan y agua, no Brasil sofreu um aportuguesamento, tornando-se Paniago. Não sabemos se isso se deu, na chegada do porto, ou por sacristãos e padres que faziam os registros paroquiais. E porteriormente pelo registro civil adotado pela República.
 Em documentos antigos de familiares, podemos encontrar o mesmo indivíduo assinando Paniagua e depois Paniago, cito Bento José Paniago (*1855 +1912) que na certidão de casamento datada de 1893, registrada em Jataí-GO aparece assinando Bento José Paniagua, filho de Antonio Joaquim Paniagua e Anna Maria de Rezende. Em cadernetas de assentos familiares, encontramos por diversas vezes parentes assinando Paniagua. Miguel José Paniago nasceu em Rio Verde-GO, e depois mudou-se para Uberlândia, há vários documentos em que ele assina sob as duas formas.  Porém, o Paniago permaneceu e o Paniagua ficou esquecido, levando muitos integrantes da família por desconhecimento a dizer que éramos descendentes de italianos.
No entanto, uma pesquisa aprofundada mostrou que no italiano não há sobrenome Paniago, o que existe e chega mais perto é Paniagi. Sendo assim, algum imigrante italiano com esse sobrenome, pode ter sido traduzido para Paniago, ficando igual a nós. O certo é que a família Paniago (Paniagua) veio da Espanha e se estabeleceu no Triângulo Mineiro entre 1830 e 1840, precisamente na região circundada pelas cidades de Uberaba, Nova Ponte, Indianópolis, Uberlândia, Ituiutaba e Araguari. Por volta da década de 1880, integrantes da família começaram a sair da região rumo a Goiás e ao Mato Grosso, sobretudo se estabelecendo na rota da estrada salineira.  Tinham intuito de adquirir vastas terras e formar fazendas, foi assim que ocuparam essa região. Desse modo, a família Paniago de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, vem de um ancestral comum, que foi o espanhol Antonio Joaquim Paniagua. Não podemos confundir este último, com o seu filho mais velho Antônio Joaquim Paniago (*1845)  que casou-se com Maria Cândida de Jesus e foi um dos primeiros familiares a ir para Mato Grosso. Tempo depois, voltou para Uberlândia devido a desentendimentos com seu genro, faleceu na Fazenda Veadinho em Uberlândia (naquela época, São Pedro de Uberabinha) em 07 de dezembro de 1903.


Texto e pesquisa: Daniel Alves Rezende
Fonte: Documentos do Acervo Onofre Rezende

  
 Daniel Rezende - © 2011 - Todos os direitos reservados

Presépios visitados: Santuário São Francisco

Presépio feito no Santuário São Francisco, localiza-se na Asa Norte em Brasília- DF. Os Frades Franciscanos Conventuais é que tomam conta do referido santuário.









                                                                Daniel Rezende - © 2011 - Todos os direitos reservados

É Natal...

Seja JESUS, o caminho, a verdade e a vida em cada momento do Natal, e que ELE guie todos os passos com muita paz e saúde no Ano Novo! 
Desejo a todos os meus amigos, um Feliz e Abençoado Natal!!!
     

  ELE está para chegar, acolhemo-nos em nossos corações!




Foto: Presépio desse ano, que fiz em minha casa.



       Daniel Rezende - © 2011 - Todos os direitos reservados

quinta-feira, 31 de março de 2011

Família Rezende e seus 70 anos de Anápolis


Panorâmica da Rua Manoel D' Abadia na década de 1940
Nesse mês de março que se finda a família Rezende completa o seu septuagésimo aniversário de chegada a Anápolis, a antiga e pacata Vila de Sant’ Ana das Antas. Permitam-me primeiro fazer um resumo do contexto econômico de Anápolis. Com a inauguração da Estrada de Ferro Goyaz em 1935, Anápolis dá um salto em sua história econômica e social. Tanto que recebeu o título de capital econômica de Goiás, permanecendo até os dias de hoje. Também sendo chamada de Manchester Goiana e de Ribeirão Preto de Goiás devido a sua efervescência econômica.  Só para nos inteirar melhor, foi à primeira cidade do Estado a construir edifícios e com elevadores, isso em 1937. A primeira a dispor de telefonia, a partir de 1938. Outro fato importante, foi ter um banco com capital inteiramente anapolino, sendo o maior do estado, cognominado Goiaz Bank. Também abrigava os maiores armazéns e atacadistas do estado, sobretudo com a importante participação e domínio comercial da colônia sírio-libanesa. Com a construção de Goiânia e, posteriormente, a de Brasília, a cidade foi base de fornecimento de matéria-prima e mercadorias para as novas capitais. 
Edifício do Goiaz Bank em 1946

Hospital Evangélico Goiano, Edifício Dona Dayse em 1942, porém construído em 1937.

            O certo é que Anápolis alcançou uma posição econômica que permanece até os dias atuais, sendo muito disputada por outras cidades goianas. Só que no ritmo que Anápolis vai, será difícil tais cidades alcançarem. Primeiro pela estrutura industrial e comercial que a cidade possui, capitaneadas pelo DAIA – Distrito Agro-Industrial de Anápolis, abrigando o Porto Seco Centro Oeste, o maior porto do interior do Brasil. “Para se ter uma idéia de sua importância econômica, em 2010 o Porto Seco movimentou US$ 2.098 bilhões, praticamente a metade de tudo o que Goiás importou no ano passado e 80% a mais em relação ao que foi registrado em 2009, que foi de US$ 1.100 bilhão¹”

           Pode-se destacar ainda a Base Aérea Militar da Aeronáutica instalada no início da década de 1970, e que é responsável pela defesa da capital federal, Brasília e de todo o Centro-Oeste. Também a ferrovia Norte-Sul tem o quilômetro zero na cidade, cujas obras estão em andamento e proporcionará outro salto econômico.  É um polo educacional, sendo sede da Universidade Estadual de Goiás e de outras faculdades. Outro fator que hoje impulsiona a cidade e que nós não poderíamos deixar de mencionar é a excelente administração do prefeito Antônio Gomide. Ele conseguiu retirar a cidade de um marasmo administrativo e político, que reinava há anos. Em dois anos de governo a cidade tem uma cara totalmente diferente, é só irem às ruas e confirmar com o povo do que estamos falando. 

Belarmino e seu filho José (Seu Zeca) no fim da década de 1920
            Voltando para o assunto a que o título propõe, é nesse contexto da década de 1940 que a família Rezende muda-se de Araguari (mas originária de Uberlândia) para Anápolis. Numa época de “vacas gordas”, com a ideia de que se teria uma vida melhor e alcançaria êxitos financeiros. Já morava em Anápolis desde a década de 1930, o casal Belarmino Ferreira de Rezende e Rita Maria de Jesus (Nenê) juntamente com seus filhos, José Virgínio de Rezende, Acácio Rezende e Manoel Ferreira de Rezende. Todos oriundos de Uberlândia, outrora São Pedro de Uberabinha.  Em Anápolis residiam na Fazenda Mata Amarela ocupada posteriormente nos anos cinqüenta pela Vila Fabril. José Virgínio de Rezende (mais conhecido como Seu Zeca) foi passear em Araguari na casa dos tios Onofre Rodrigues de Rezende (*1884 +1966) e Virgilina Maria de Rezende (*1887 +1951), moradores da Fazenda Fundão, em frente a Estação Ferroviária Stevenson. Lá fez a propaganda de Anápolis, afirmou que era um lugar muito bom e promissor, que dava chance de bons negócios. Onofre ficou interessado e sentiu-se atraído pela conversa.

            Enquanto isso, José permanece na casa dos tios por mais alguns dias, e Onofre já havia decidido que iria com o sobrinho para conhecer a cidade. Embarcam numa "Maria Fumaça" rumo a cidade goiana e chegando ao seu destino, o velho tio Onofre percorre o município e encanta-se pela Terra de Sant’ Ana. Ficou logo na vontade de comprar uma fazenda na região e mudar-se, as terras aqui eram mais baratas do que as de Minas. Retorna então para casa, e expõe a família o que encontrou e o desejo de vender a propriedade e transferir-se para Anápolis. Houve certa relutância, mas a família acabou cedendo com a esperança de adquirirem uma grande propriedade por um preço baixo. E é assim que a família desfecha sua história na Stevenson, vendendo o sítio de 16 alqueires a beira da estação. 

José Virgínio de Rezende (Seu Zeca)
            Voltam a Anápolis a procura de fazendas para comprar, enfrentam algumas dificuldades. Chegam a fazer negócio numa, situada na região do DAIA, mas o proprietário, o major Olímpio Barbosa de Melo acabou falecendo e o negócio desfeito. Mesmo assim, sem a compra de terras a família decide-se mudar. Além de Onofre e a esposa Virgilina, vieram juntos os filhos José Rodrigues de Rezende (*1914 +1967), Olímpio Rodrigues de Rezende (*1918 +1979), Manoel Rodrigues de Rezende (*1921 +2013), Adélia Maria de Rezende (*1924 +1981) e a filha adotiva Maria “Nega” (* 1938 +2007). Os dois primeiros, José e Olímpio, já eram casados e trouxeram suas esposas, respectivamente: Izabel Rodrigues da Cunha (*1917 +1981) e Ludovina Maria dos Santos (*1922). Onofre e Virgilina só não ficaram completamente contentes pelo fato do filho mais velho, Joaquim Rodrigues de Rezende (*1911 +1976) casado com sua prima Maria Ferreira de Rezende (*1917 +2008) não terem vindo, pois estes continuaram morando na Fazenda Sobradinho em Uberlândia.  É só em janeiro de 1944 que Joaquim e Maria mudam-se para Anápolis, já tendo duas filhas: Valdete Maria de Rezende (*1941 +2008) e Benedita de Fátima Rezende (*1943 +2012). Em solo anapolino tiveram mais três filhos: João Martins de Rezende (*1945 +2014), Diva Rezende Gomes (*1947) e Terezinha Rezende (*1948 +2015).

Rodovia Anápolis-Colônia Agrícola Km 4 em 1949. No local da Av. Fernando Costa na Vila Jaiara
            Arrendam, primeiramente, por um pequeno período umas terras para o lado da Fazenda Intendência, lá não ficam nem 15 dias devido às condições do local. Então, alugam uma casa na Rua 14 de Julho, próximo ao leito da estrada de ferro no centro da cidade. Procuram daqui e dali e após três meses conseguem comprar uma fazenda, sendo esta propriedade do senhor Pedro Jacinto². Eram 150 alqueires de terras, na Fazenda Cabeceira do Sobradinho e Barreiro, as margens da Rodovia Anápolis - Colônia Agrícola (hoje Ceres). Localizava-se entre a cidade de Anápolis e o povoado do Pau Terra³. Essa propriedade rural foi vendida a porteira fechada, isto é, com tudo que havia dentro, inclusive com um ótimo engenho e alambique. Posteriormente, instalaram uma olaria diversificando as atividades empreendidas na fazenda. O dinheiro que possuíam era insuficiente para pagar a compra da fazenda, foi então que Pedro Jacinto fez condições para o pagamento: deram como entrada o dinheiro que tinham. Assim, ao longo de dois anos quitaram a compra com a produção de rapadura e pinga, sendo revendidos em Anápolis e nas cidades circunvizinhas. 

            Onofre se estabelece na sede e cada um dos filhos casados ocupam um determinado lugar na fazenda, já os solteiros, assim que se casaram, fizeram o mesmo. Esses filhos deixaram enorme descendência, pois deram a Onofre e Virgilina a contagem de 43 netos. Todos são anapolinos, com exceção das netas Valdete e Benedita que nasceram em Uberlândia. A propriedade se estendia desde a Rodovia Anápolis – Colônia Agrícola (precursora da Belém-Brasília) na altura do Miranápolis e Guanabara,  até bem próximo do Piancó e do Gengibral. No fim da década de 1960, grande parte das terras foram desapropriadas para a construção da Base Aérea de Anápolis, sendo esta, um dos símbolos do Município.  Mais tarde, a maioria dos familiares venderam suas partes e mudaram-se para a cidade, restando nos dias de hoje, praticamente nada do que foi a grande fazenda dos anos 1940 e 1950. 

            Porém uma coisa nos restou, a qual não desfazemos: Anápolis soube acolher muito bem nossa família.  Não nos esquecemos de nossas origens mineiras, mas somos anapolinos,  pois  é Anápolis que nos identifica, somos filhos da Terra de Sant’ Ana, afinal de contas, são 70 anos nesta cidade abençoada. Ir a Uberlândia ou Araguari para nós,  significa rever nossos parentes queridos que lá permaneceram, estar perto de nossas origens e ver o que os nossos antepassados construíram! Minas faz parte de nós, do nosso ser e o coração está dividido entre lá e aqui, o Estado do Queijo e o Estado do Pequi, dois estados irmãos. 

Enfim, Anápolis nos fez anapolinos! Anapolinos do uai, sô! 

“Anápolis, Anápolis poema de bravura. Que escreveram nossos pais, nossos avós. Alma gigante que se alastra em terra pura. Canção de amor que a gente canta em plena voz.”

(Refrão do Hino de Anápolis)

NOTAS:

¹ : Dados do Porto Seco Centro Oeste S/A.
           
Pedro Jacinto²  : Nasceu em 1900 e faleceu em 1949. Há uma rua no Bairro São Lourenço que leva o seu nome, próxima ao Cemitério São Miguel. Foi proprietário daquela região, quando ainda não passava de pastos de fazenda.

Pau Terra³ : Povoado que surgiu na década de 1930, levou esse nome por haver um grande e velho pau-terra (árvore típica do cerrado), o qual os cavaleiros arreavam seus animais.  Em 1953, passou a condição de Distrito de Anápolis, com o nome de Interlândia, permanecendo com esse nome até hoje. Situa-se as margens da Rodovia Federal Belém-Brasília (BR 153).

4 : É possível analisar a contabilidade do engenho, pois os livros de assentamento foram guardados por Joaquim Rodrigues de Rezende até a sua morte, após isso sua filha Benedita os guardou e os passou posteriormente para o seu neto Daniel Alves Rezende, autor deste texto.


REFERÊNCIAS:

FERREIRA, Haidée Jayme. Anápolis Sua Vida, Seu Povo. Brasília: Editora do Senado, 1981.
CARDOSO, Waltecir J. Entre Parentes: História e Genealogia. Uberlândia: Composer, 2005

Acervo Onofre Rezende  –  Documentos – Anápolis – GO

Depoimentos orais colhidos de: Manoel Rodrigues de Rezende, Ludovina Maria dos Santos, Pedro Rodrigues de Rezende e Ormezinda Ferreira Gomes.

www.portocentrooeste.com.br. Acessado no dia 30/03/2011 as 21:30 Hs.

Hino Municipal de Anápolis - Letra de Genya Eleutério e Música do maestro Oreste Farinello.

FOTOS:

Acervo Fotográfico do Museu Histórico Alderico Borges de Carvalho – Anápolis – GO
Acervo Onofre Rezende  –  Fotografias – Anápolis – GO
Acervo de Yara de Pina Godoy - Anápolis - GO


Daniel Rezende - © 2011 - Todos os direitos reservados 

Texto atualizado em 19/01/2015.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Maria Magdalena de Jesus


Nesse mês de janeiro, especificamente no dia 24 fez-se 89 anos de falecimento de nossa matriarca, nascida no então, Arraial de São Pedro de Uberabinha, hoje Uberlândia - MG. Nasceu em 1860, sendo filha de Antônio Joaquim Paniago (imigrante espanhol) e de Anna Maria de Rezende. (Sua mãe pertencia às famílias da região, os Pereira e os Rezende).  Era de estatura mediana, pele clara, olhos azuis e um sotaque arraigado, principalmente em palavras como carro, arroz, arrumar. A pronúncia sempre saía assim: caro, aroz, arumar, etc. Também carregava forte e piedosa devoção católica. Em 3 de setembro de 1881, contraiu matrimônio com Elias Rodrigues Martins, nascido em 21 de setembro de 1859. Era filho de Francisco Martins Carrejo e Delfina Alves Rodrigues, sendo neto paterno de Felisberto Alves Carrejo (1795-1872) e Luiza Alves Martins (1797-1882). Depois de casada, sempre residiu na Fazenda Marimbondo e deixou 8 filhos, que foram donos de uma enorme descendência. Com exceção de Luiza de Jesus, pois faleceu na infância.

F1 – Zeferino Rodrigues de Rezende (n. 1882), C.c. Virgilina Maria de Jesus, enviuvando-se contraiu matrimônio com Etelvina Alves Rodrigues;
F2 – Onofre Rodrigues de Rezende (n. 1884), C.c. com Virgilina Maria de Rezende;
F3 – Luiza de Jesus (n. 1886), falecida na infância;
F4 – Victor Rodrigues de Rezende (n. 1888), C.c. com Virgilina Laudelina Martins;
F5 – Ozório Rodrigues Paniago (n. 1890), C.c. com Avelina Maria de Jesus;
F6 – Olímpio Rodrigues de Rezende (n. 1892), C.c. Maria Alves Rodrigues;
F7 – Laurinda Francisca de Jesus (n. 1896), C.c. Joaquim Caetano Peixoto;
F8 – Hilário Cândido Rodrigues (n. 1898), C.c. Jovita Gomes.
                
 Veio a falecer em 24 de janeiro de 1922, previamente tinha recebido os sacramentos pertinentes, pois, o pároco deixou registrado nos livros da Igreja. Foi sepultada no cemitério que existiu no Bairro Fundinho, próximo as casas de moradia do Exército em Uberlândia.


Fontes:
Acervo Onofre Rezende - Anápolis - Goiás

Daniel Rezende - © Todos os direitos reservados - 2011

Joaquim Rodrigues de Rezende, sua história, sua vida




Anotação sobre empréstimo escrito por Joaquim
Nesse mês de janeiro ocorre o centenário de nascimento de Joaquim Rodrigues de Rezende. Um homem extraordinário, de caráter exemplar, autoditata, bondoso e além de tudo um católico fervoroso.  Do tipo que comprava a briga e não se omitia, daqueles que se valia do princípio ubi Petrus, ibi Ecclesia. Há de se ressaltar os seus escritos, as correspondências que trocava frequentemente com as editoras católicas.  Além de ser pai de família, dedicava seu tempo a Igreja, foi Congregado Mariano, da Legião de Maria e da Ordem Terceira de São Francisco. Seu rosto traduzia seriedade, talvez bravo, mais o coração era de menino. Não poderia deixar de escrever nesta ocasião umas poucas linhas sobre sua vida biográfica. Justo agora na passagem dos 100 anos de seu nascimento. 

Joaquim e Luiza (1ª esposa)
No virar dos 31 de dezembro de 1910 para 1º de janeiro de 1911, nasce na antiga São Pedro de Uberabinha a primeira criança do ano. Dia em que o casal Onofre Rodrigues de Rezende e Virgilina Maria de Rezende vira nascer o seu primeiro filho. Tendo olhos azuis e cabelos bem claros, os quais reluziam. Foi levado a pia batismal em 12 de fevereiro, sendo seus padrinhos o tio-materno Mudesto Ferreira de Rezende e a sua avó materna Mariana Luciana de Rezende. Sendo celebrante o padre André Aguirre. De sua mãe, aprendeu os primeiros ensinamentos religiosos e familiares, e do pai a lidar com o gado e a lavoura.  Devido à lida na roça, pode estudar por pouco tempo. Porém, suficiente para ler, escrever e calcular com uma pessoa douta. Sua infância se passou pelo Marimbondo, até que os pais resolvem se mudar para a Fazenda Fundão em Araguari.  Certo tempo depois, mudam para a Estação Stevenson e os anos passam, e agora jovem pensa em se casar. Nessa época, os casamentos ainda estavam de certa forma sob influência dos pais. Então, casa-se com Luiza Francisca de Jesus em 1937, filha de Joaquim Caetano Peixoto e Laurinda Francisca de Jesus.  Meses depois, e a notícia que de sua mulher está grávida, tudo ocorre bem e a criança nasce em 14 de setembro de 1938. Era uma menina, a qual lhe deram o nome de Jovelina Rezende.   Na mesma semana Luiza, sua esposa teve uma série de complicações pós-parto que infelizmente a levou a morte.  

Joaquim e Maria (2ª esposa)
Joaquim em momento algum perdeu a cabeça, mesmo por circunstância tão difícil. Perdeu a mulher, mais ainda teve como consolo a filha recém-nascida. Esta, que foi entregue aos cuidados dos avós maternos e consequentemente sogros e tios de Joaquim. Pois, era primo de sua esposa. Todos conviviam juntos, as fazendas as quais moravam eram vizinhas. Sentiu a necessidade de casar-se novamente, o qual se deu em 1940 com Maria Ferreira de Rezende, sendo filha de Mudesto Ferreira de Rezende (seu padrinho) e Thereza Maria de Jesus.  Matrimônio que durou por 36 anos. Teve mais cinco filhos: Valdete Maria de Rezende (*1941 +2008), Benedita de Fátima Rezende (1943), João Martins de Rezende (1945), Diva Rezende Gomes (1947) e Terezinha Rezende (1948).


Joaquim já na casa de seus 50 anos.
Em janeiro de 1944, muda-se com a família para Anápolis – GO, município o qual já residia os seus pais desde março de 1941. Lá desempenhou inúmeras atividades, foi proprietário de engenho, olaria e fazendeiro. Lá viveu por mais 32 anos, até que em 15 de janeiro de 1976 vem a falecer no Hospital Dom Bosco, após lutar alguns anos contra os males que abateram sobre si. Segundo relato da enfermeira que entrou na enfermaria do momento de sua agonia estava segurando um crucifixo, o qual sempre gostou de carregar e acima de tudo defender.










Requiem aeternam dona ei, Domine: et lux perpetua luceat ei.




Referências 

Acervo Onofre Rezende - Seção de Documentos - Anápolis - Goiás 
Relatos fidedignos de familiares 


Daniel Rezende - © Todos os direitos reservados - 2011

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Igreja perde o grande pastor Dom Manoel Pestana


Muito pesar o Grupo de Estudos Medievalistas – PCM tem pelo falecimento de Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis-GO. Ocorreu neste sábado (dia 08/01),  enquanto passava férias com sua família na cidade de Santos-SP.  Reunimo-nos pela última vez no dia 17 de dezembro, conversamos por 3 horas sobre diversos temas. E como sempre, saímos com algo guardado em nossos corações e em nossas mentes. Era um homem de uma profunda sabedoria, humildade e perseverança e de uma vasta cultura. Aos 82 anos parte para a morada Celestial na certeza do dever cumprido perante a Igreja e a Deus, nosso Pai. Deixa  gravado em  nós uma eterna lembrança, de seu sorriso  de criança.

Os nossos profundos sentimentos de pêsames à família, aos amigos e ao povo da Diocese de Anápolis. 
Dos estudantes de História (UEG):
 
Karinny Pena Pinheiro
Na foto: Daniel, Tobias, Dom Manoel e Karinny.




Tobias Dias Goulão
Daniel Alves Rezende
Pedro Henrique Rosa
André Luiz dos Santos Lourêdo



Requiem aeternam dona ei, Domine: et lux perpetua luceat ei.
Daniel, André, Dom Manoel e Karinny.



Fotografias da última visita que fizemos a Dom Manoel em 17 de dezembro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Zequinha Paniago

José Pereira Rezende foi exemplo de retidão na administração do Município de Jataí, em Goiás. A grandeza de seus atos na condução da Intendência, durante os dois períodos em que lá esteve se equilibra com o espírito de respeito e zelo pela coisa pública, demonstrados ao longo do exercício do poder. José Pereira Rezende não era só um cidadão emérito administrador de Jataí. No comércio estava a ciência que dominava, por isso esteve no ramo desde o final da primeira década de 1900. Nessa atividade pôde mostrar que constância e responsabilidade, andando juntas, fazem um empresário bem sucedido, com foi seu caso.
Antigamente, mais do que hoje, problemas sociais sempre incomodaram os poderes constituídos. Incomodavam mas nunca se deram ao trabalho de criar estruturas eficazes a fim diminuir essas desigualdades sociais. Em parte, o Estado de Goiás tinha suas razões para não enfrentar o problema porque a receita de então não comportava tamanho ônus nas suas contas, e também porque essa filosofia não fazia parte de nenhum plano de governo. Então, a ordem era: cada município que resolva os problemas como puder e entender.
Em 1924, a região de Jataí viveu difícil crise com escassez de gêneros alimentícios. Em vista dessa dificuldade penalizando a população e com constantes e abusivas altas nos preços desses produtos, José Pereira Rezende, agora como Intendente, criou uma bolsa para ser distribuída às famílias carentes, inclusive com algum dinheiro, além de doações de medicamentos aos doentes sem recursos. Para por em prática esse audacioso programa, organizou na Prefeitura um cadastro das famílias que seriam beneficiadas. Essa ajuda foi estendida aos funcionários com um aumento salarial de 20%,  pelo menos enquanto durasse a crise. Ainda, como medida para complementar seu plano, desestimulou a saída dos produtos alimentícios para outras localidades, instituindo pesadas taxas nas operações de vendas para fora do Município. Ilustrando mais o espírito comunitário de José Pereira de Rezende, vale dizer que um mendigo fizera uma casinhola (meia água) num terreno do Município. Para acertar aquela situação, mandou transferir o terreno para o nome do pedinte.

Naquela interminável época de vacas magras, Jataí não oferecia nenhum conforto aos seus munícipes, embora já se pudesse ver nas ruas esburacadas algum veículo motorizado, para deleite da criançada e - por que não dizer - dos adultos também. Aproveitando o entusiasmo e instinto de aventura de alguns pioneiros, o velho Zequinha Paniago (assim era chamado), em março de 1925, assinou convênio com Joaquim Caetano de Assis e Raul Seabra Guimarães (este de Rio Verde) para montar uma hidrelétrica no Rio Claro (seis quilômetros da cidade), construir a rede de distribuição e explorar o serviço no município durante 25 anos. Em 1926 a energia na cidade foi ligada.
Nas cláusulas estabelecidas entre as partes ficou definido que na zona urbana seriam colocadas 4.000 lâmpadas de 50 velas (watts); os prédios municipais teriam força e luz de graça; as lâmpadas queimadas na iluminação pública teriam que ser substituídas em 24 horas, sob pena de incorrer na pesada multa. Conforme se lê na crônica da época, o serviço oferecido pela empresa concessionária ficou aquém do acordado: a capacidade máxima não ultrapassou 75KWA ou 130 HP; na zona urbana, apenas 318 residências foram ligadas à rede e seis empresas se utilizaram da rede trifásica; a iluminação pública, projetada para 4.000 lâmpadas, recebeu somente 217. Mesmo assim o acontecimento foi um avanço extraordinário. Pequenas novas empresas começaram a surgir. Crise de desemprego - se havia - deixou de existir.
O ano de 1926 representou um marco divisor na história de Jataí. A partir de então, as noites dos seus habitantes se transformaram em momentos de emoção, novidade, riso incontido. Ligar uma lâmpada dentro de casa era uma coisa sensacional. Com isso, foram postas de lado as desajeitadas candeias abastecidas com óleo de mamona; aposentaram as lamparinas a querosene e deixaram de fazer velas de sebo de vaca. - Agora temos luz elétrica!
Parece que os grandes feitos não chegam de forma isolada; são predestinados. É que novamente naquele mesmo ano de 25, o intendente José Pereira Rezende dá outra boa notícia à sociedade: assinou acordo com duração de 25 anos para exploração do serviço de captação e distribuição de água potável à cidade com o jataiense José Inácio de Assis.
A Casa Rezende começou a funcionar no final da primeira década do século XX e permaneceu em atividade durante 90 anos. No detalhe, um comercial inserido no jornal O JATAHY, de 1910.

O povo estava cansado de ser explorado para ter água em casa. Até então, principalmente durante o período de seca, o líquido era transportado da fonte no Mato do Açude em carroças até às casas, e os usuários pagavam caro pelo serviço. - Era uma exploração. Essa situação já vinha de longe, desde quando o Rego Público e as bicas de madeira, construídos lá pela metade do século XIX por José Manoel Vilella, se mostraram incapazes de atender à demanda da população sempre crescente. E eis que em 1926, dentro de um período relativamente curto, o serviço de captação e a rede de distribuição de água potável foram entregues à população. Que alívio!
Hoje, analisando as medidas adotadas pela Prefeitura para forçar a população a usar da água encanada, e assim proteger os investidores deste extraordinário melhoramento, achamos curioso alguns dispositivos da lei sancionada logo depois pelo intendente José Pereira Rezende, mandando obstruir todas as cisternas existentes no perímetro urbano, o que causou certo mal estar entre os usuários desses dispositivos. Outra cláusula dizia que todo aquele que deixasse torneira aberta em flagrante desperdício, seria penalizado com pesada multa e poderia até ser suspenso o fornecimento d’água do faltoso.
A esquerda a Casa Rezende de propriedade de Zequinha Paniago
Para dar mais vigor e eficiência à sua administração, Zequinha Paniago contratou um jurista do Estado para elaborar novo Código de Posturas. 

Nesse documento foram incluídas normas para construção de casas, alienação de imóveis, formas de cálculos e cobrança de encargos municipais e outros procedimentos relacionados à administração. Esse Código foi transformado em lei em 1926. No início de 1929, como político contrário à linha adotada pelo Governo dos Caiado, para escapar das prisões arbitrarias do delegado Barros, fugiu para Uberaba, passando pelo Canal São Simão. Nessa corrida para escapar do açoite, estavam ao seu lado Salomão de Faria, Nestor Garcia de Assis, Joaquim Cândido de Carvalho, Eurico Cunha Sotto Maior e José Gedda.
José Pereira Rezende desempenhou outras funções públicas em Jataí: Foi delegado de Polícia; membro do Conselho Consultivo da Prefeitura no mandato de Manoel Balbino de Carvalho; elegeu-se vereador pela antiga UDN; foi sócio principal da firma Rezende, Peres & Cia. Ltda.; vice-presidente da primeira diretoria da Associação Comercial e Industrial de Jataí, em 1932; idealizador do Cine Teatro Imperador; empresário no ramos de curtume e banha de suínos.
Na noite de 2 de março de 1964, a Câmara de Vereadores estava reunida quando o telefone tocou para comunicar o falecimento de José Pereira Rezende. A sessão foi suspensa e o prefeito Cyllenêo França decretou luto municipal.



Fonte: http://www.jatai.not.br/Personalidades/Abertura/NAbertura.htm

Daniel Rezende - © Todos os direitos reservados